Resposta direta
A volatilidade em USD/CAD vs AUD/USD pode ser medida quantificando o quanto as taxas de câmbio flutuam ao longo do tempo. A abordagem mais comum é converter as variações de preço em retornos e, em seguida, calcular uma medida de dispersão estatística, como o desvio padrão móvel (volatilidade realizada). Uma segunda abordagem é usar a volatilidade implícita de opções, que reflete o que um mercado de opções implica sobre a flutuação futura, mas somente se houver dados de opções disponíveis. Em ambos os casos, o segredo é definir os insumos (qual preço, qual intervalo de tempo, qual comprimento de janela) e declarar as premissas, porque o número de “volatilidade” muda quando essas escolhas mudam.
Se o seu objetivo é comparar USD/CAD e AUD/USD, use o mesmo método de medição para ambas as séries; caso contrário, as diferenças podem refletir a metodologia em vez do comportamento do mercado.
Mecanismo ou definição
“Volatilidade” geralmente é definida como a variabilidade dos retornos, não a variabilidade dos preços brutos. Um retorno é uma variação na taxa de câmbio em um intervalo de tempo escolhido. Por exemplo, se você amostra taxas diárias, uma escolha comum é o retorno logarítmico entre a taxa de hoje e a de ontem. Depois de ter uma sequência de retornos, você pode calcular a volatilidade realizada.
Opção A: volatilidade realizada (histórica)
Um fluxo de trabalho típico de volatilidade realizada é:
- Selecione a taxa de câmbio de referência para cada par (por exemplo, uma taxa de mercado intermediária ou outra cotação consistente do provedor).
- Escolha uma frequência de amostragem (diária, horária, etc.).
- Escolha um comprimento de janela móvel (por exemplo, 20 ou 60 observações).
- Calcule a volatilidade como o desvio padrão dos retornos dentro da janela móvel.
- (Frequentemente) anualize se quiser uma escala comparável de longo prazo; a anualização exige uma premissa sobre quantos períodos cabem em um ano.
Exemplo de premissa: Se forem usadas observações diárias, a anualização geralmente assume 252 dias de negociação. Se você usar dias corridos, uma contagem diferente se aplica. A estimativa de volatilidade não está “errada”, mas é baseada na premissa de escala escolhida.
Opção B: volatilidade implícita (baseada em opções)
Se houver negociação de opções em contratos relevantes, a volatilidade implícita é derivada dos preços das opções usando um modelo de precificação. É uma medida implícita de mercado, em vez de uma medição direta da dispersão passada. A limitação prática é que a disponibilidade da volatilidade implícita depende da existência do contrato, da liquidez e do modelo específico e dos insumos usados para extrair a volatilidade implícita.
Evidência ou exemplo
Abaixo está um exemplo concreto de como dois estimadores podem ser comparados sem prever movimento.
Configuração do exemplo (premissas declaradas):
- Você usa o mesmo intervalo de tempo para USD/CAD e AUD/USD (por exemplo, taxas amostradas diariamente).
- Você calcula retornos logarítmicos.
- Você usa uma janela móvel de 30 retornos diários.
O que você compara:
- As séries temporais de volatilidade realizada móvel resultantes para USD/CAD e para AUD/USD.
- Estatísticas resumidas, como a volatilidade média em um subperíodo escolhido.
Interpretação (sem previsão): Se a volatilidade realizada móvel do USD/CAD for maior que a do AUD/USD nas mesmas datas, isso significa que os retornos do USD/CAD mostraram maior dispersão histórica sob suas definições. Isso não garante que um comportamento semelhante continuará.
Um segundo ângulo de evidência é comparar as mudanças na volatilidade realizada com grandes mudanças de “regime” nos dados (por exemplo, períodos com saltos abruptos). Mesmo assim, você deve tratar a relação como descritiva: picos de volatilidade podem vir de reprecificação súbita, mas a causa não é determinada apenas pela métrica de volatilidade.
Você também pode comparar a volatilidade realizada calculada em diferentes frequências de amostragem (diária vs horária). Se a volatilidade horária for muito maior, isso indica maior variabilidade de curto prazo ou a presença de efeitos de microestrutura (efeitos de spread de compra e venda, diferenças de tempo ou saltos de preço mais frequentes). Isso ajuda a entender qual parte da “volatilidade” você está realmente medindo.
Limitações e riscos
1) A volatilidade histórica não é a volatilidade futura
A volatilidade realizada resume o que já aconteceu na janela selecionada. Ela não estabelece resultados futuros, porque a dispersão do próximo período pode diferir devido a novas condições macroeconômicas, ações de política ou mudanças na microestrutura do mercado.
2) As escolhas de medição podem mudar o número
As estimativas de volatilidade são sensíveis a:
- Comprimento da janela (janelas curtas respondem mais rápido a mudanças; janelas longas as suavizam).
- Frequência de amostragem (amostragem mais frequente captura mais variação de curto prazo).
- Definição de retorno (retornos logarítmicos vs retornos simples).
- Premissas de escala/anualização.
- Qualidade dos dados (carimbos de tempo ausentes ou espaçamento irregular de observações podem distorcer os resultados).